1 Ano da Rede Livre Leste

12 meses de articulação, lutas sociais e mobilizações culturais na periferia da zona-leste de São Paulo. Convites para participação em seminários, debates, fóruns, simpósios e eventos que destacassem a importância da articulação em Rede por uma transformação social real, pela justa distribuição de recursos públicos para cultura, pela valorização e reconhecimento de grupos em sua maioria comprometidos em fazer, pensar, pesquisar e AGIR artísticamente em suas comunidades, fortalecendo suas raízes comunitárias, dialogando de fato com o público, a massa, que começa logo alí ao lado com seu vizinho.

Foi um ano de pé na lama e megafone na mão.

Um ano em que foi necessário pautar o poder público, fazer denúncia, cobrar dos organismos responsáveis.Um ano em que foi impossível não comprar a briga dos movimentos sociais, subir com a perna-de-pau na enchente, filmar a indignação, formar imensos cordões de gente para mostrar que estamos no mapa. Também foi um período para sair de casa e não só ganhar as ruas, mas também as reuniões, os fóruns e encontros que não vão além do Tatuapé. Foi o ano que a montanha começou a mover-se em direção a Mamomé. “Nos escutem aí, secretaria!”, mas também “nos escutem aí companheirada!”. Companheirada? Foi necessário se fazer valer para os próprios companheiros de categoria, já inseridos em uma lógica de incentivo, financiamento e patrocínio, que muitas vezes são também aqueles não reconhecem, valorizam e pouco se interessem com o milho que salta fora da panela, e quê panela.

Panela boa foi a que esquentou no fogão a lenha na festa junina da várzea, um dia em que periferia e centro estiveram juntos as margens do Tietê para comer milho verde e tomar quentão. Panelas boas também as que cozinharam o alimento de grupos do Brasil e da América Latina no 3º Encontro Comunitário de Teatro Jovem. Como se falou de Rede Livre Leste desde então.

Foram 12 meses construindo diálogo, nos colocando em reflexão quanto ao que somos e ao que estamos. 

Somos filhos de políticas públicas da ultima década, somos os tais “fomentados” de fato, iniciados a partir de uma dinâmica cultural histórica no que se diz respeito a política pública em cultura. Privilegiados pelo “acesso”, vocacionados, VAIados. Beneficiários seja da caridade, boa vontade ou modismo cult do trabalho em periferia (palavra clichê é o cacete! O caralho! E também outros palavrões…) o que interessa é que os “monstrinhos” estão aí, trazendo outras demandas. Estamos cheios de vontade de fazer diferente, construir outras trajetórias, inventar territórios ao invés de conquistá-los. Estamos assim, saturados. Estamos no espaço público, na construção coletiva, no boteco, na paderia, nos parques, nas praças, nas ruas, vielas, calçadões, linhas de trem, sob viadutos, na lama, na trama, na rede, buscando algum elo perido do qual pentercemos. Somos e estamos o próprio elo perdido, talvez, para uma sociedade mais justa e humana? Não, não nos colocamos como protagonistas de qualquer coisa. Somos mais um e queremos que tantos outros também nos sejam mais. 

Se antes fomentados, como jovens carentes, agora acarinhados crescemos em estamos com fome.

Um ano da Rede Livre Leste está aí para mostrar que o crescimento é político, artístico, organizacional. As realidades que compartilhamos na Rede são das mais diversas (núcleos cooperativados na cooperativa paulista de teatro, núcleos querendo sair da cooperativa paulista de teatro, núcleos vinculados a ponto de cultura, núcleos com participação em projetos de fomento, núcleos vivendo a beira do penhasco pós VAI e núcleos que já se jogaram nesse abismo faz tempo) mas que de fato trazem uma necessidade, uma urgência, em comum: a busca pela autonomia, emancipação, consolidação, sustentabiluidade, ou seja lá qual for a palavra dada para garantir a continuidade do próprio trabalho e pesquisa artística.

A dimensão atingida pela Rede em um ano de existencia é de respeito. Ainda sem entender se abre ou fecha suas entradas, se dialoga ou se barra certas instituições, questões, poderes, se se mostra por completo ou se bola estratégias para chegar aos pouquinhos, de fato o que se percebe é que a dinâmica da Rede é própria de um organismo vivo, que propõe dinâmicas próprias a partir de determinado contexto. Ainda mais nesta Rede em específico, que se propõe enquanto concretização do encontro presencial, do discurso construído na ação, da arte e do artista totalmente vinculados ao público, ao cotidiano e ao ambiente a que se destina. E o destino, na grande maioria das vezes, é o próprio ambiente: a rua próxima de casa, alagada, em reuínas, aos pés do rio tietê; ou a rua próxima de casa, com um galpão, um Centro Cultural em letras maiúsculas, que recebe grupos e jovens do Brasil e do Mundo, transmitindo pela internet este encontro.

A Rede Livre Leste é do ENCONTRO

Por essas e outras que sempre ficou aqui registrado neste blog aquilo que de significativo passamos, enquanto Balaio, com a Rede Livre Leste. Nossa história que tanto agora se mistura com a dela. Não sabemos mais se nosso Balaio é nosso ou é a Rede. Se é a Rede um Balaio ou o Balaio a própria vontade de ser Rede. De fato, quando puxamos toda esta história e propusemos com Trupe Arruacirco e Meninos do Circo o 1º Cortejo Livre Leste, nossa vontade era a de ter todos em nosso Balaio, mas o que vimos é que agora todos estão no balaio de todos.

Venha celebrar conosco!

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