Apoio ao movimento S.O.S. Flávio Império

No dia 04 de outubro o Parque Ecológico do Tietê foi tomado por artistas de teatro, dança e circo que recolhiam assinaturas em apoio ao movimento SOS Flávio Império, cobrando uma reforma adequada e a reabertura para a comunidade de um dos raros espaços culturais da região, fechado há aproximadamente três anos: o Teatro Distrital Flávio Império, também conhecido como patinho feio da prefeitura –  localizado em Engenheiro Goulart, Cangaíba.

No Parque Ecológico do Tietê, a maneira de aproximar o público, presente nos pique-niques, churrascos, peladas, rodas de capoeira e trilhas do local, foi com muita música, circo e divertidas caracterizações de personagens. Foram cantadas cirandas, jongos, côcos e apresentados números circenses, em aprelhos como monociclo, perna-de-pau, tecido e lira (os dois ultimos fixados em árvores, compondo um poético cenário).  Foi assim, ocupando o espaço público artísticamente, que um grande grupo de jovens artistas denunciavam o descaso público com a cultura na região, e conseguiu mobilizar pessoas para que apoiassem essa causa.

Foto de Tatudotopia - 3º Cortejo SOS Flávio Império

Foto de Tatudotopia - 3º Cortejo SOS Flávio Império

Este evento, parceria entre Cortejo Livre Leste e S.O.S. Flávio Império, foi o terceiro dentre 4 cortejos realizados na região pela mesma causa. O resultado foi a já iniciada reforma no Teatro Flávio Império, além da articulação, contato e troca entre grupos jovens vindos de regiões periféricas da zona-leste, movimento constante que tem se fortalecido mais e mais. Resta agora ficar de olho na reforma e priorizar a reivindicação de que o teatro volte para a comunidade, com uma ocupação efetiva, organizada pelos grupos da região.

“E aqui tem Teatro, é?”

Essa era a frase mais ouvida durante o cortejo pelo parque, quando solicitada a assinatura das pessoas. Também foi a mais ouvida quando os integrantes de oficinas, dentre elas o nem nascido Mentecorpos do Balaio, ouviam quando começaram a divulgar guerreiramente os espetáculos e atividades oferecidos pelo projeto Amigos da Multidão, da Cia Estável de Teatro. Passados três anos de Amigos, uma multidão precisava voltar para suas casas pois o ingresso para o espetáculo O Auto do Circo já havia esgotado em poucos minutos. Os insistentes tinham de ficar sentados nas escadas ou em pé no fundo e, até, bisbilhotando o que desse pelo saguão. O Teatro foi finalmente descoberto por uma comunidade que não sabia que ele estava alí, invisível, havia anos. O Amigos da Multidão aconteceu por 3 anos dentro do Teatro e conseguiu fazer com que o espaço passasse do abandono ou palco para eventos particulares para uma ocupação artística efetiva, com a comunidade atuante na vida do ambiente público, coletivo, construído por espetáculos, oficinas, debates e ensaios de grupos da casa e de fora dela. O Balaio, ainda Mentecorpos do Balaio, teve o Teatro Flávio Império como ventre de mãe, que gerou e cuidou do filho recém nascido até sairmos por aí atrás de teto: Cia Estável de Teatro, Mentecorpos do Balaio, Trupiniquim, Mangará, Núcleo de Monitoria em Teatro, Associação Amigos da Multidão e artistas da região foram forçados a sair desse chão, da terra imperiana que dava solo a nossa criação, pelo mesmo poder público (aliás, mesmo poder público porém com outra gestão, o que mudou muita, mas muita coisa) que havia aberto as portas anteriormente. Como grupo nascido na casa somente o Balaio sobreviveu, mas diversos artistas dessa geração continuaram lutando para que o olhar da cultura para a periferia fosse mais carinhoso, formando o SOS Flávio Império e o Cortejo Livre Leste. Pois é obrigação do Balaio apoiar um movimento de resgate da pátria que nos pariu, pátria essa imperiana de áureos tempos bem guardados na memória de quem os viveu.

Pois o Balaio se pegava ouvindo a mesma frase ouvida no início do projeto Amigos da Multidão. Mais uma vez teve o ouvido invadido por “E aqui tem Teatro, é?”. Isso é reflexo da má administração pública para a cultura na periferia, reflexo ainda mais desastroso da má administração pública atual para a cultura no município. Na periferia o peso é ainda maior.  Isso, infelizmente, ainda é engrossado pelo próprio movimento artístico que, num geral, parece ter deixado de olhar para as prósperas possibilidades de se fazer arte na e para a periferia. O discurso de apoio e moção muitas vezes não vem acompanhado de uma prática efetiva. Ao mesmo tempo é necessário fortalecer a própria comunidade e a articulação entre os grupos da nova geração de artistas surgidos nas periferias, iniciados, sobretudo, em projetos outrora trazidos por Cias. É necessário fazer a comunidade voltar para ela própria, aproximar  nestes locais o público de quem também já foi público local uma vez e agora sobe à cena, ao mesmo tempo que haja incentivo e disponibilidade do poder público em viabilizar projetos e um olhar carinhoso da classe artística já estabelecida para legitimar o trabalho dos jovens grupos (e que já nem são tão jovens assim) para que eles possam ganhar credibilidade no cenário cultural.

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Para mais informações sobre o SOS Flávio Império, acesse o blog do movimento ou envie um e-mail para o YahooGroups: sosflavioimperio@yahoogrupos.com.br ou livreleste@yahoogrupos.com.br

O Balaio postou um vídeo no youtube do fechamento do dia, com uma bela ciranda entre os grupos e publico presente, enquanto artistas circenses do Balaio e Arruacirco eram embalados pela ciranda “Cirandeiro” tocada também por integrantes dos dois grupos. Para assistir ao vídeo, clique aqui.

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o dia 04 de outubro o Parque Ecológico do Tietê foi tomado por artistas de teatro, dança e circo que recolhiam assinaturas em apoio ao movimento SOS Flávio Império, cobrando uma reforma adequada e reabertura para a comunidade de um dos raros espaços culturais da região, fechado há aproximadamente três anos, o Teatro Distrital Flávio Império, também conhecido como patinho feio da prefeitura e localizado em Engenheiro Goulart, Cangaíba.

No Parque Ecológico do Tietê, a maneira de aproximar o público, presente nos pique-niques, churrascos, peladas, rodas de capoeira e trilhas do local, foi com muita música, circo e divertidas caracterizações de personagens. Foram cantadas cirandas, jongos, côcos e apresentados números circenses, em aprelhos como monociclo, perna-de-pau, tecido e lira (os dois ultimos fixados em árvores, compondo um poético cenário).  Foi assim, ocupando o espaço público artísticamente, que um grande grupo de jovens artistas denunciavam o descaso, também público, com a cultura na região e conseguiu mobilizar pessoas para que apoiassem essa causa.

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