No final de semana do dia 11/09, que a mídia faz questão de tornar marcante para o mundo, o Balaio tinha mais que motivos para comemorar e estar feliz. Este foi potente e forte, mas não na violência e arrogância tão características dos envolvidos no ataque às Torres Gêmeas, foi forte e potente de arte, comunhão e parceria.
Sábado, 10 de Setembro. Vínhamos direto de Cidade Tiradentes, depois de um dia inteiro de trocas com muitos jovens de coletivos artísticos no 4° Encontro Comunitário de Teatro Jovem, no Centro Cultural Arte em Construção. Neste mesmo local a Rede Livre Leste realizou, no dia seguinte, sua intervenção zé-lestiana e o 2° Fórum Livre Leste com o tema “O que te incomoda?”. Impossível de evitar que aparecesse, movido por esta pergunta, o assunto dos 10 anos do ataque à Nova Iorque. Impossível também não se dar conta de que não somos ianques e que nosso olhar frente a tudo isso é distanciado e, por vezes, frio. Ficou então uma consideração de que, sim, faz 10 anos que a espetacularização da tragédia chegou em nossas casas, mas o nosso espetáculo é outro.
Imbuídos desse estado de propulsora vontade de mudança em coletivo, o Grupo doBalaio, Cia do Outro Eu e Trupe Arruacirco seguem para um outro espaço de resistência cultural e ativismo, a Casa de Cultura Raul Seixas, ocupada pelo Coletivo ALMA (Aliança Libertária Meio Ambiente). Lá foi realizado o “Sarau Lundu II – A Arte que nasce na Zona Leste” com a presença de diversos coletivos e artistas que fazem história a partir do fortalecimento artístico comunitário, dentre os quais a banda Nhocuné Soul, os poetas Raberuan e Akira (grandes responsáveis, junto com Sacha Arcanjo, Zulu de Arrebata e outros, por um importante movimento cultural que nasce em São Miguel Paulista, o MPA – Movimento Popular de Arte) e a Rede Livre Leste. Diversos outros artistas apresentaram maravilhosos trabalhos de força estética e política e podem ser conhecidos no blog do Coletivo ALMA.
O Balaio experimentou um estudo do número “Aqui (não) Pode Tocar”, contemplado pelo Edital PROAC n°10 de Produção de Número Circense. O que pode e o que não pode? Quem dá essa permissão? Quem permite quem a dar uma permissão? São com estas questões que o grupo ancora sua pesquisa em circo, música e palhaço. O numero ainda é embrionário e pretende desenvolver-se na exucação do projeto até Janeiro de 2012, quando circulará pela periferia da capital e por cidades do interior. Ainda assim fomos supreendidos (será?) por uma menina porreta de uns 8 anos de idade que, em total diálogo com o número, questionou em alto e bom tom o palhaço responsável pela proibição de que os outros dois tocassem música alí. Levantou, andou até a frente da cena, levantou o dedo, apontou no meio da cara da Cambota e exigiu que ela deixasse que tocássemos. Mesmo depois de ouvir de Cambota de que ela deveria ir até uma viatura policial (que se encontrava dentro do parque) e pegasse todos os documentos assinados e protocolados, autorizando nossa expressão artítica, a menina, ligeirinha, colocou a mão na cintura e…foi!!! Tem coisa melhor do que uma criança, em plena consciência de seu direito, responder dessa forma a nós artistas?
Quem viu, viu, quem não viu imagine pelas fotos!
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